terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Desassossegada!



Os versos que vou escrever abaixo são de Fernando Pessoa. Desde a primeira vez que li me identifiquei muito com esses dizeres. Recomendo o Livro do Desassossego, é excelente pra sacodir geral e nos tirar do conforto que o sossego proporciona. rs... Não foi fácil encarar a leitura não mas me colocou pra pensar, refletir... E isso é sempre bom!

"E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre, fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância -irmãos siameses que não estão pegados."
(Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego Ed. Companhia das Letras - página 53)

domingo, 29 de novembro de 2009

Manhã de domingo e a Folha de S.P.

Ler jornal sempre foi um hábito em minha vida. Quando criança eu sempre acompanhava a leitura do meu pai. Ele assinava a Folha e aos domingos comprava o Estado. Ele tinha mania de recortar anúncios de empregos nos classificados. rs... Mesmo trabalhando, maluquice! Eu ficava brava porque achava que ele sairia do trabalho. Ele trabalhava na Fermata e vivia me trazendo discos de presente.

Essas lembranças são sempre boas mas o assunto hoje é sério. Lembrei apenas para demostrar o quanto sempre foi importante ler jornal.

A falta de tempo no dia-a-dia me faz dedicar as manhãs de domingo pra leitura de jornais. Impressos e virtuais, faço um apanhado das notícias semanais. E hoje não foi diferente, acordei e logo comecei minha leitura.

Sempre priorizei a Folha, acho que por costume, foi o jornal que assinei durante um bom tempo. Mesmo insatisfeita com o posicionamento deste jornal, o escolhia dentre os da grande imprensa.

Hoje encerro a priridade que sempre dei a Folha, tardiamente, talvez! Mas é isso, não compro, não entro mais na versão virtual e farei uma campanha contra.

Não tem condições de contribuir com o jornal da "ditabranda", de manchetes enganosas, enfim, que não tem o mínimo compromisso com a verdade, não investiga notícias e coloca em primeira página acusações pesadas.

Na última sexta, 27 de dez, a Folha publicou um artigo de Cesar Benjamim, onde este conta que o Lula já confessou pra ele ter feito um estupro. Nenhuma prova de nada, nenhuma investigação e assim como no caso do Dilma-sequestro uma irresponsabilidade!

Não dá! Fiquei pensando muito sobre os termos usados por Paulo H. Amorin: PIG (Partido da Imprensa Golpista) e PUM (Pensamento Único Midiático) e acho que a Folha está cada vez mais representando essas expressões, se perdendo neste jogo e se distanciando do jornalismo sério.

Os blogs tem um papel cada vez maior em informar e combater esse jogo sujo midiático. Falando nisso, Celso Lungaretti em seu blog (www.naufrago-da-utopia.blogspot.com) postou um bom texto sobre a entrevista da Falha (vou aderir ao termo usado por meu amigo Claúdio).


A nova infâmia da Folha.

Como jornalista, aprendi que nada é impossível. Então, depois de ler, estarrecido, o texto no qual o cientista político Cesar Benjamin acusava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de lhe haver relatado uma tentativa de estupro que teria cometido em 1980, resolvi esperar a evolução do caso antes de condenar inapelavelmente quem um dia já foi herói deste sofrido país.

Mas, a minha avaliação inicial foi das mais negativas. Dai haver afirmado claramente, em artigo escrito de batepronto, que o relato de Benjamin, da forma como foi apresentado, lhe valeria uma condenação como caluniador em qualquer tribunal.

Algo assim só seria aceitável com a corroboração da suposta vítima ou, pelo menos, das outras pessoas que ele afirmou estarem presente na conversa.

A edição de hoje (sábado, 28) da Folha de S. Paulo nada trouxe que verdadeiramente respaldasse a versão de Benjamin -- o qual não se manifestou, sequer.

E as reações vieram em cascata:

O publicitário Paulo de Tarso da Cunha Santos, citado por Benjamin, afirmou que "o almoço a que se refere o artigo de fato ocorreu", que "o publicitário americano mencionado se chamava Erick Ekwall", e que não houve "qualquer menção sobre os temas tratados no artigo";

O cineasta Sílvio Tendler, com melhor memória (a conversa aconteceu há 15 anos), diz ser o outro publicitário cujo nome Benjamin esqueceu e sugere que outorguem ao cientista político o "troféu de loira [burra] do ano" por não haver entendido "uma brincadeira, como outras 300" que o Lula fazia todos os dias;

Ex-companheiros de cela de Lula no Dops, José Maria de Almeida (PSTU), José Cicote (PT) e Rubens Teodoro negaram a tentativa de estupro, tendo Almeida acrescentado que não havia ninguém do Movimento pela Emancipação do Proletariado na cela e Cicote se lembrado vagamente de que um sindicalista de São José dos Campos seria apelidado de "MEP";

Armando Panichi Filho, um dois dois delegados do Dops escalados para vigiar Lula na prisão, disse nunca ter ouvido falar disso e não acreditar que tenha acontecido, mesmo porque, segundo ele, nem sequer havia "possibilidade de acontecer”;

O então diretor do Dops Romeu Tuma também desmentiu "qualquer agressão entre os presos";
o Frei Chico, um dos irmãos do presidente Lula, lembrou que a cela do Dops era coletiva e que nunca Lula ficou sozinho, pois estava preso com os outros diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (Rubão, Zé Cicote, Manoel Anísio e Djalma Bom);

Lula, de acordo com o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto de Carvalho, teria ficado triste e abatido, afirmando que isso era "uma loucura";

O próprio Gilberto de Carvalho qualificou a acusação de "coisa de psicopata" e recriminou a Folha por tê-la publicado;
O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, afirmou que o artigo é "um lixo, um nojo, de quem escreveu e de quem publicou";

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, atribuiu "essa coisa nojenta" aos ressentimentos e mágoas de Benjamin, que algum tempo depois deixaria o PT, mas não por causa desse episódio;

O Frei Beto qualificou o artigo de "execrável" e disse que Lula, "ainda que não fosse presidente", mereceria respeito.

Ou seja, a tentativa de estupro não é confirmada por ninguém. Talvez tenha estado preso mesmo um sindicalista alcunhado de MEP. E Lula parece haver feito uma piada de mau gosto, como tantas outras que marcam sua trajetória de falastrão contumaz.

O certo é que não havia sustentação para a Folha publicar, p. ex., uma reportagem a este respeito. Não se acusa um presidente de tentativa de estupro com tão pouco.

Concedeu, entretanto, uma página inteira para Benjamin colocar essa bobagem em circulação, municiando a propaganda direitista.

Jornalisticamente, sua atuação é indefensável, desprezível, manipuladora.

Desceu aos esgotos, repetindo o episódio em que usou outro bobo útil de esquerda para tentar envolver a ministra Dilma Rousseff com um plano para sequestrar Delfim Netto que nunca saiu do papel.

Cesar Benjamin deveria ter aprendido a lição.

Agora, ou vem a público provar sua acusação, ou estará definitivamente morto para a política.

Quanto à Folha, já morreu para o jornalismo faz tempo.

sábado, 28 de novembro de 2009

Djavan falando de amor e eu amando...

Boa parte das músicas do Djavan falam sobre o amor, algumas até exageram no açúcar. Mas hoje conversando com o bonito do Billy me lembrei de uma do Djavan que acho fantástica.

O amor é um grande laço
Um passo pr'uma armadilha
Um lobo correndo em círculo
Pra alimentar a matilha
Comparo sua chegada
Com a fuga de uma ilha
Tanto engorda quanto mata
Feito desgosto de filha
O amor é como um raio
Galopando em desafio
Abre fendas, cobre vales
Revolta as águas dos rios
Quem tentar seguir seu rastro
Se perderá no caminho
Na pureza de um limão
Ou na solidão do espinho
O amor e a agonia
Cerraram fogo no espaço
Brigando horas a fio
O cio vence o cansaço
E o coração de quem ama
Fica faltando um pedaço
Que nem a lua minguando
Que nem o meu nos seus braços

Faltando um pedaço - Djavan


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Assim assim...

"...E quando eu estiver triste, simplismente me abrace!"



"...A batalha é o começo da trégua..." Arnaldo Antunes

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Irmãos e ponto!

Filha única?!?! Meus pais não tiveram outros filhos, no entanto a vida me presenteou com 5 irmãos!

Minha mãe sempre trabalhou muito e aos 4 meses de idade eu tive o prazer de ser cuidada pela minha doce Jovinha, minha mãezinha e uma das pessoas mais maravilhosas que conheço. Bom, mas minha Jovinha é um assunto a parte. Hoje o papo é sobre meus irmãos.

Postiços? Emprestados? Meio-irmão? Primos-irmãos? Não, nenhum desses termos serve pra definir. Os considero irmãos mesmo! Irmãos e ponto!

O sangue não é tão forte quanto a criação. Não nascemos dos mesmos pais, mas crescemos juntos. E isso garantiu a construção de uma relação de irmãos. A convivência, a troca, a parceria, as brigas, as brincadeiras, a cumplicidade, as lágrimas, as broncas, as gargalhadas. Enfim, isso tudo se deu entre nós.

Foram eles que me ensinaram a respeitar as diferenças, a dividir, saber que não sou única, que o mundo não gira em torno do meu umbigo, que minhas vontades nem sempre podem prevalecer, que ler é importante, que devemos estudar, que samba é bom demais, que devemos ser bom e não idiota, que devemos brigar quando necessário.

Quantos pastéis de vento... Doce de pia... Balas de leite (que grudam no dente)... Tudo sempre bem dividido! Quantos copos de suco foram divididos... E era um "aí, Jesus" se um copo tivesse mais suco do que o outro (1 ml que fosse...).

A divisão do colo era sempre a mais difícil, mas a Jovinha sabia, e ainda sabe, como ninguém a matemática na hora de dividir amor!

Bom, cada um dos meus irmãos tem um lugar especial no meu coração e em minha vida.

Tânia, de riso fácil, simpatia em pessoa, me "explorava" quando criança pois me fazia tirar seu tênis quando voltava da escola. Com os dedinho de fora, seu pé "conversava" comigo. E eu era a explorada mais feliz, morria de rir dos dedinhos falantes. Ela me chamava de Djavan por causa dos cachinhos no cabelo. Sempre com seus livros, suas poesias, suas fotografias. Hoje é mãe da Gabi, uma Taninha em miniatura e minha sobrinha!!

Guina, o cara mais tranquilo da casa. Me chamava de Batatinha (na verdade, até hoje chama) e apertava minha bochecha o tempo todo. No final de semana sempre ouvia muito samba, o Arquivoooooooo do Sambaaaaaa. Acho que era isso. Não me lembro a rádio. Pena!!! Hoje é um grande homem, batalhador e pai do Gui, meu primeiro sobrinho, e da Helô, a pretinha mais vaidosa da família.

Telma, essa é quase minha mãe também. Sabe aquela irmã mais velha que faz as vezes da mãe? Foi assim com ela. Ela me disciplinava, era ela quem via minhas lições de casa, me fazia estudar. Ela era linha dura. Eu mal chegava da escola e já tinha que fazer os deveres. Só depois almoçava e brincava. Devo a ela tantas coisas, até minha letra é igual a dela. rsrs... Ela era a mais baladeira, ia sempre pras danceterias. Foi ela quem me levou no MC Donalds pela primeira vez, naquela época não havia shopping por perto. Então fomos num MC do Centro da cidade. Até hoje lembro de como esperei aquele dia. Hoje ela é uma companheirona, sempre disposta, inteligente e nunca deixa a peteca cair. Ah, me conhece só com um olhar. Parece até que lê meus pensamentos.

Giselma, minha parceira! De todas as horas. Guerreira... Nossa! Além de tudo, somos muito parecidas! Quando criança aprontavamos muito, brigavamos de se pegar. Ela me batia tanto. rsrs... Mas também apanhava. Mas sempre fomos unidas. Sempre! Nem na hora da raiva traíamos essa união. E isso se mantém firme até hoje. Na alegria, na tristeza, na bronca, nos elogios... Estamos sempre juntas. Ah, e na mesa do bar somos imbatíves. Temos tantas histórias... Somos cúmplices de crimes perfeitos. rsrs...


Junior, o caçula! Teve a ousadia de tirar meu lugar de caçula. rsrs... É o típico irmão mais novo, mimadinho! rsrs... Meu parceiro de brincadeiras. Meu primeiro aluno, eu o obrigava a brincar de escolinha todos os dias. Teve diploma de formatura e tudo. Ele era bem folgadinho, aprontava muito e até me dava uns petelecos. Mas eu sempre o protegia, não deixava ninguém brigar com ele. Hoje ele é o tio cabeção, meu parceiro de jogos do Tricolor, meu parceiro de churrascos. Esse sabe o que quer da vida e corre atrás!



Telma, Tânia, eu e a Gisa - 21 de nov de 2009


Junior, eu e Guina - 21 de nov de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

O cotovelo mais gostoso do Brasil!!!

Adoro cotovelo!
Na verdade, gosto de morder cotovelo.
Loucura?
Deve ser sim... Todos tem as suas manias malucas
E por conta dessa minha maluquice descobri um cotovelo muito gostoso, o da minha nega!!!
Hoje teve sessão mordida...





sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Nega Gisa!!!



Parceira de todas as horas, irmã, amiga.
Gisa é sinônimo de intensidade.
Não tem espaço o morno, o mais ou menos, o que dá tédio.
Ela é força, coragem, gritos, alegria, sinceridade.
Alisa e bate com a mesma potência. Defeito? Não, transparência!
O amor é o que determina suas atitudes, sempre!

Amo-te, pretinha!
E não porque temos o mesmo sangue e sobrenome.
Você é uma grande mulher, tem valores que eu respeito e admiro.
Sou uma sortuda por conviver com você desde que nasci.

Gracias pela sua vida! E por fazer parte da minha!